A Prefeitura de Campos tem acompanhado o aumento da circulação de veículos pesados, como carretas e bitrens, em vias urbanas do município e alerta para os impactos diretos sobre a mobilidade e a conservação do pavimento. A presença constante desse tipo de veículo em corredores com semáforos, conversões e grande fluxo de carros e pedestres tende a provocar retenções, ampliar congestionamentos e elevar o risco de ocorrências, especialmente em trechos comerciais e residenciais.
Para o subsecretário de Mobilidade, Sérgio Mansur, o problema se agrava porque grande parte das ruas e avenidas da malha urbana não foi dimensionada para suportar tráfego contínuo de carga de grande porte. “O esforço feito pelas rodas no pavimento é muito alto e fica ainda mais intenso nos momentos de frenagem e arrancada na abertura do semáforo, além das curvas e manobras. Isso acelera o desgaste do asfalto, provoca trincas, deformações e buracos e reduz a vida útil da via, principalmente em períodos de chuva, quando a infiltração de água agrava ainda mais a situação”, explica.

O impacto do tráfego pesado em corredores urbanos foi registrado em relatório fotográfico da Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo, e Mobilidade, elaborado a partir de inspeções na Avenida Arthur Bernardes e Estrada do Carvão. O documento aponta que, durante períodos em que a RJ-238, conhecida como Estrada dos Ceramistas, esteve em obras, parte do fluxo de caminhões pesados com destino ao Porto do Açu passou para a avenida, contribuindo para o desgaste precoce do pavimento em diferentes trechos.

A Prefeitura reforça que o Município buscou ordenar essa circulação por meio da Portaria do IMTT nº 21 de 2025, publicada no Diário Oficial, que estabeleceu regras para o tráfego de veículos de carga rígidos ou articulados com mais de quatro eixos em vias sob circunscrição municipal e previu exceções para atendimento a estabelecimentos comerciais dentro do município, além de orientações de trajeto mais compatíveis com o porte dos veículos. No entanto, a Prefeitura destaca que os caminhões voltaram a circular pelas vias urbanas porque uma decisão liminar suspendeu os efeitos da portaria, mantendo o fluxo pesado dentro da cidade e ampliando a pressão sobre ruas e avenidas já comprometidas pelo desgaste.
A gestão municipal aponta que a situação é agravada por atrasos sucessivos nas obras da RJ-238, cuja execução é de responsabilidade do Governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem. Segundo informação do próprio DER, a entrega da obra, que antes estava prevista para o final do segundo semestre de 2025, teve novo adiamento e passou a ser estimada para o primeiro semestre de 2026.
A Prefeitura avalia que a postergação do cronograma estadual mantém, na prática, um ambiente de pressão contínua sobre a malha urbana, porque o tráfego de passagem procura caminhos dentro da cidade e concentra manobras, acelerações e frenagens em pontos críticos. A Secretaria Municipal de Obras informa que esse padrão de circulação acelera a fadiga do pavimento e eleva a necessidade de serviços corretivos, com impacto direto na rotina de moradores, comerciantes e motoristas, além de aumentar o volume de intervenções de manutenção em corredores com grande circulação diária.
Segundo a Procuradoria Geral do Município, a avaliação é de que já há condições operacionais para o desvio do tráfego pesado para a RJ-238, o que reforça a necessidade de reorganização local da circulação. A Procuradoria ressalta-se que, desde o final de junho de 2025 a RJ-238 está liberada em sistema ‘pare e siga’ o que demonstra claramente a viabilidade de tráfego dos veículos de grande porte pela RJ e não mais pelas vias internas do Município, razão pela qual, a Prefeitura deverá regularizar por meio de nova Portaria o tráfego naquela região.