Uma decisão dos desembargadores da 6ª Câmara Criminal trouxe uma grande reviravolta no caso Ana Paula Ramos, jovem que foi brutalmente assassinada em Campos dos Goytacazes em 2017. A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça decidiu anular o júri popular que havia condenado os envolvidos em 2021. Com isso, dois deles, que estavam presos, ganharam liberdade. A notícia foi dada em primeira mão pela Record TV Interior RJ.
Luana Barreto Sales, apontada como mandante, e Igor de Souza, apontado como autor do crime, deixaram a prisão e vão responder ao processo em liberdade. Wermison Ribeiro, também apontado como autor, já cumpria pena domiciliar, mas morreu em um grave acidente. Marcelo Damasceno, outro acusado de participar do crime, foi julgado separadamente, condenado a 13 anos de prisão e segue cumprindo a pena.

O júri popular que havia sentenciado os réus foi anulado sob o argumento de contaminação da imparcialidade dos jurados. No dia do julgamento, um dos jurados foi ao banheiro e ouviu um dos réus falar sobre o processo. Na ocasião, o juiz optou por desfazer o julgamento do réu citado. No entanto, cinco anos depois, o Tribunal de Justiça entendeu que a sentença como um todo havia sido contaminada pelo episódio, invalidando a condenação de todos.
A assistência de acusação já informou que irá recorrer da decisão.
O crime
Ana Paula Ramos, de 25 anos, foi baleada no dia 19 de agosto de 2017 em uma praça no Parque Barão do Rio Branco, em Guarus. O caso chegou a ser tratado como um assalto, mas as investigações da Polícia Civil apontaram para um crime passional, motivado por um desentendimento entre a cunhada e a universitária.
A vítima estava acompanhada da cunhada, acusada de ser a mandante do crime, no momento em que foi abordada por dois atiradores.
A universitária estava com casamento marcado e, no dia do crime, a cunhada, que seria madrinha na cerimônia, havia combinado de ir ver o vestido de noiva com Ana Paula. De acordo com as investigações da Polícia Civil na época, o grupo se reuniu no dia anterior e no local do crime para combinar os detalhes.
Luana teria acordado pagar R$ 2.500 para que dois assassinos cometessem o crime de modo que parecesse um latrocínio, roubo seguido de morte, e assim afastasse suspeitas. Antes do atentado, a cunhada já teria pago R$ 2 mil, e o restante seria quitado após o crime.