Com a iminente implementação de novas tarifas de importação pelo governo do presidente Donald Trump, consumidores nos Estados Unidos estão correndo para estocar produtos essenciais, temendo aumentos significativos nos preços e possíveis escassezes.
Thomas Jennings, de 53 anos, é um exemplo dessa tendência. Durante uma visita ao Walmart Supercenter em Secaucus, Nova Jersey, ele encheu seu carrinho com sucos, condimentos e outros itens não perecíveis. “Estou comprando o dobro de tudo — feijão, produtos enlatados, farinha, o que for”, afirmou Jennings. Ele também adquiriu farinha, açúcar e água em grandes quantidades na Costco, expressando preocupação com uma possível recessão e se preparando “para o pior”.

Essa corrida às compras é impulsionada pelo receio de que as novas tarifas resultem em aumentos de preços no varejo. A Tax Foundation, uma organização de pesquisa apartidária, estima que essas tarifas possam custar aos norte-americanos US$ 3,1 trilhões nos próximos 10 anos, equivalendo a um aumento de impostos de aproximadamente US$ 2.100 por família somente em 2025.
O fenômeno lembra o período da pandemia de COVID-19, quando interrupções na cadeia de suprimentos levaram à escassez de produtos e à inflação. Manish Kapoor, fundador da GCG, empresa de gestão da cadeia de suprimentos nos arredores de Los Angeles, observa que “as pessoas estão preocupadas com o fato de que o custo dos produtos vai subir e, você sabe, vamos estocar”.
Além dos consumidores, varejistas também estão tomando medidas para mitigar os impactos das tarifas. Empresas como a Steve Madden estão acelerando planos para transferir a produção da China para outros países, como Camboja, Vietnã, México e Brasil, visando reduzir a dependência de produtos chineses e minimizar os custos adicionais.
Especialistas alertam que, embora estocar produtos possa parecer uma solução imediata, essa prática pode exacerbar problemas de oferta e demanda, levando a aumentos de preços ainda maiores e escassez de produtos no futuro. Eles recomendam cautela e planejamento financeiro cuidadoso para enfrentar as possíveis turbulências econômicas que se avizinham.
Com a data de implementação das novas tarifas se aproximando, tanto consumidores quanto empresas nos EUA permanecem atentos e cautelosos, buscando estratégias para minimizar os impactos econômicos e manter a estabilidade financeira em tempos incertos.
Por Jornal do Estado com informações da Reuters