A Polícia Federal (PF) realiza, nesta quinta-feira (2), mais uma fase da Operação Unha e Carne, que apura as relações entre políticos e o crime organizado no Rio de Janeiro. O pastor Márcio Poncio foi preso em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital.
Além dele, também há mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estão presos e o ex-parlamentar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal. Por volta de 8h20, Bacellar chegou à sede da PF, na Zona Portuária do Rio, com uma Bíblia na mão.
Os agentes ainda cumprem 14 mandados de busca e apreensão contra integrantes do Poder Legislativo na cidade do Rio e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda determinou o bloqueio de R$ 22 milhões dos investigados.
Um dos alvos de mandado de busca e apreensão é o filho do ex-governador Sergio Cabral e pré-candidato a deputado estadual Marco Antônio Cabral. Em nota, a defesa dele afirmou que o cumprimento do mandado ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Marco Antônio nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita.
Segundo a PF, o objetivo da operação é encontrar outros indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio.
As investigações começaram depois que a PF apreendeu listas com Adilsinho com registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. As listas chamaram a atenção por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado do Rio. Ao menos 20 políticos são investigados por receberem mesada do bicheiro, que foi preso em fevereiro na Região dos Lagos.