ONU Mulheres apresenta dez propostas para ampliar proteção e participação das mulheres nas eleições

4 minutos de leitura
Disclosure: This website may contain affiliate links, which means I may earn a commission if you click on the link and make a purchase. I only recommend products or services that I personally use and believe will add value to my readers. Your support is appreciated!
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A ONU Mulheres apresentou, a poucos dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026, um documento com dez propostas voltadas à proteção, aos direitos e à participação das mulheres na vida pública. As medidas são direcionadas a candidatas, candidatos, partidos, instituições públicas e à sociedade e buscam estimular o debate sobre políticas para a população feminina.

Entre os temas abordados estão a ampliação da presença de mulheres nos espaços de poder, o cumprimento das cotas eleitorais, o enfrentamento à violência política de gênero e raça, o combate à violência contra as mulheres, políticas de cuidado e proteção social, igualdade de renda e participação feminina nas decisões relacionadas às mudanças climáticas.

Segundo a ONU Mulheres, as propostas foram formuladas com medidas que podem ser transformadas em políticas públicas e ações do Estado. A representante da organização no Brasil, Gallianne Palayret, afirmou que compromissos apresentados durante as eleições precisam indicar metas, orçamento e prazo para execução.

A primeira proposta defende a adoção da paridade como meta, com prazos e números definidos para ampliar a presença de mulheres em cargos eletivos, posições de nomeação, lideranças do Legislativo e direções partidárias. A segunda trata do cumprimento das cotas eleitorais, com fiscalização e distribuição adequada dos recursos de campanha.

A terceira proposta aborda a violência política de gênero e raça e defende a aplicação efetiva da Lei nº 14.192/2021, inclusive no ambiente digital, além do fortalecimento dos canais de denúncia e das medidas de proteção. A quarta trata da prevenção e do enfrentamento à violência contra as mulheres, com investimento em educação para a igualdade, serviços especializados, medidas protetivas e investigação.

O documento também propõe tratar o machismo como um problema público, com ações permanentes de educação e mudança de comportamentos. Outra frente é a chamada economia do cuidado, com a defesa de formação, contratos formais, salários dignos e proteção social para trabalhadoras que atuam nessa área.

Na área econômica, a ONU Mulheres propõe medidas para garantir igualdade salarial, trabalho formal e proteção social às mulheres, além de políticas de qualificação, inclusão digital, crédito e acesso a empregos verdes.

As três últimas propostas são relacionadas às mudanças climáticas. A organização defende que o financiamento climático alcance iniciativas lideradas por mulheres, que mulheres — especialmente indígenas, negras, quilombolas e integrantes de povos e comunidades tradicionais — tenham participação efetiva nos espaços de decisão sobre clima e que políticas climáticas considerem gênero e raça na definição de metas, orçamento e avaliação dos impactos.

De acordo com a ONU Mulheres, as mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro, mas ocupam 17,2% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 18,5% do Senado. A organização também aponta que, nas candidaturas para a Câmara em 2026, as mulheres representam 36,6% dos registros.

A ONU Mulheres ressalta que não apoia candidaturas ou partidos. O documento faz parte da atuação da organização pela participação política das mulheres e pelo enfrentamento à violência política de gênero e raça durante o ciclo eleitoral de 2026.

Compartilhe essa notícia