O pastor Márcio Poncio é um dos presos pela 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (2) no Rio de Janeiro. A operação é uma sequência da investigação de um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais para o Comando Vermelho (CV).
Nascido no Rio de Janeiro, Márcio construiu seu patrimônio atuando no mercado de tabaco. Como pastor evangélico, ele atua há mais de duas décadas. Nas redes sociais, ele se define como “servo de Deus” e membro da Igreja da Nuvem.
Além dessas atuações, Márcio é “patriarca da família Poncio”, que ganhou notoriedade nacional na internet mostrando a rotina, a ostentação de patrimônio e por estar envolvida em polêmicas. Ele é pai do cantor Saulo Poncio e da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ).
Haveria, segundo os indícios da PF, uma ligação de políticos com a facção criminosa CV. Entre os alvos estão também o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e já está preso, e o contraventor Adilsinho.
A autorização para operação partiu do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi determinado o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.
Ao todo, são 14 mandados de busca e apreensão e três de prisão expedidos pelo STF. Há alvos nas cidades do Rio de Janeiro e São João do Meriti, na Baixada Fluminense.
Em nota divulgada à imprensa, a PF informou que a investigação busca “aprofundar apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro”.
Esta é a quinta fase da operação e começou depois que os policiais encontraram listas ligando autoridades a criminosos. O material mostrava supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade ligada a lavagem de dinheiro. O material chamou atenção por conter repasses diretos a agentes políticos do Rio de Janeiro.
As investigações incluem análise do material apreendido, identificação do fluxo financeiro e identificação de beneficiários, intermediários e operadores do esquema.